O Visgo dos Confins
Portuguese

O Visgo dos Confins lyrics

GenreSertanejo
Original languagePortuguese
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Original lyrics

PT
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Numa boca de setembro Sob torreira desumana O céu rachou-se em violência Por detrás das carnaúbas As galinhas se esconderam Junto às sombras do paiol E um estampido medonho Rebuliu pedra e lençol Veio um corpo incendiado Rodopiando na abóbada Arrancando das estrelas Faíscas de maldição Ao beijar o barro bruto Rebentou barroca funda E uma matéria viscósa Escorreu negra e imunda Ô coisa vinda dos astros Que intenção trouxe consigo Teu ressumo carregava Podridão de antigo perigo Cada marca da tua baba Fazia o capim fenecer Como se a matéria viva Aprendesse a apodrecer Zacarias do Riachinho Foi chegando ressabiado Vendo aquela gosma mexer Sobre o cascalho queimado Parecia massa enferma Misturada com tutano Mas havia inteligência Na torpeza do sicrano Ela apalpava o terreno Feito bicho procurando E uns filamentos pulsavam Na viscosidade arfando Depois sumiu no matagal Sem deixar sombra ou rumor Só um fedor intolerável De carniça e horror Ô coisa vinda dos astros Que intenção trouxe consigo Teu ressumo carregava Podridão de antigo perigo Cada marca da tua baba Fazia o capim fenecer Como se a matéria viva Aprendesse a apodrecer Dois janeiros não passaram Quando Zacarias voltou Todavia sua feição Qualquer coisa deformou Os cachorros se escondiam Sob tremura e desatino E crianças se benziam Vendo o homem no caminho Ele ria sem motivo Abraçava, conversava Mas seus olhos pareciam Água podre represada Certo dia encontraram Junto às pedras do lajedo O cadáver de Zacarias Sem intestino, sem nem dedos E entenderam horrorizados Vendo a carne esmigalhada Que o homem visto na vila Era a gosma disfarçada Ô coisa vinda dos astros Que intenção trouxe consigo Teu ressumo carregava Podridão de antigo perigo Cada marca da tua baba Fazia o capim fenecer Como se a matéria viva Aprendesse a apodrecer Vieram outros surgindo Iguaiszinhos aos finados Com os mesmos tiques de fala E os semblantes copiados Todavia pela noite Escutava-se um ruído De digestão viscosa Pelos fundos dos retiros Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô E a cidade enfim compreendeu Sob terror agora urgente Que já havia caminhando Muita morte usando gente E o povo gritou É um Visgo dos Confins É um Visgo dos Confins É um Visgo dos Confins, ê, ê, ê É um Visgo dos Confins, ê, ê, ê

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