Preconceito
Portugués

Letra de Preconceito

Duración3:51
Idioma originalPortugués
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Letra original

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Ouvi um disparo no silêncio da noite E pensei: Oh, meu Deus, é mais um que se vai! Aqui na favela não é brincadeira, seu moço Cada tiro que é dado é um preto que cai Certamente acharão uma arma com ele Pra justificar o sangue que se esvai Pra que os homens de bem não sintam remorso E possam dormir outras noites em paz Dizem que ela não poupa ninguém Mas que preconceito a morte tem? Você pode até se sentir diferente Mas o sangue de preto é vermelho também Dizem que ela não poupa ninguém Mas que preconceito a morte tem? Pra quem é preto e favelado, seu moço Mais depressa a morte vem O lamento que canto não tem quem se importe Ode de desespero e de indignação Quanto mais cutucamos e abrimos o corte Mais corpos de pretos se espalham no chão E eles dizem não existir preconceito, sem moço E assim podem olhar em outra direção E por mais que eu exorte, o anjo da morte Vem como um ceifador colher a plantação Um branco que corre é só alguém atrasado Um preto correndo: Pega ladrão desgraçado! Pobreza que avança é o que ficou de herança Um tiro na noite é mais um preto que dança Mais um foi pro saco, rabecão, necrotério Depois pro buraco no chão do cemitério Senhores de engenho, carrascos traiçoeiros Cabeça de preto é de quem mira primeiro

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