Original lyrics
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Há uma beleza estranha em quebrar o que é vidro
Ver que o reflexo era só uma ideia do mar
Passei os anos ouvindo o que era proibido
Sem perceber que a chave sempre esteve no olhar
A impotência é um quarto que a gente não areja
Um acúmulo de tralhas que o medo deixou
Mas hoje eu abro a janela, que a luz me proteja
O peso do ontem, a corrente do rio carregou
O horizonte é um susto pra quem só via o muro
A retina acostuma com a falta de cor
Mas o que era silêncio e um medo maduro
Se desfaz no momento em que acaba o pudor
De ser quem se é, sem o peso da ideia
Sem a grade do espelho que a gente montou
A transparência engana o desejo
O que eu via era o rastro, nunca foi o lugar
Onde o olho era venda, hoje eu vejo o lampejo
Dessa onda que vem me ensinar a nadar
É o desmonte do que é sólido
Pra que o fluido possa enfim banhar
Não sou mais o vidro, nem o reflexo
Eu sou a coragem de me derramar
A paz é conquista, é a recompensa
De quem tirou a lama e não fugiu do drama
Abri a janela, o ar tá gelado
Mas o peito tá quente, pronto pra voar
O peso de ontem ficou no passado
O rio levou, deixa ele levar