Eis O Homem
Portuguese

Eis O Homem lyrics

AlbumTelurismo
Year1976
Original languagePortuguese
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Original lyrics

PT
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Brotei do ventre da pampa Que é pátria na minha terra Sou resumo de uma guerra Que ainda tem importância Diante de tal circunstância Segui os clarins farroupilhas E devorando coxilhas Me transformei em distância Sou tipo que numa estrada Só existe quando está só Sou muito de barro e pó Sou tapera, fui morada Sou velha cruz falquejada Num cerne de coronilha Sou raiz, Sol farroupilha Renascendo estas manhãs Sou o grito dos tajãs Voejando sobre a coxilha Caminho como quem anda Na direção de si mesmo E de tanto andar a esmo Fui de uma a outra banda Se a inspiração me comanda Da trilha logo me afasto E até semente de pasto Replanto pelas vermelhas Estradas velhas paralelas Ao repisar no meu rastro Sou alma longa e tão cheia Como os caminhos que voltam Quando as saudades rebrotam Substituindo os espinhos Que a perda de alguns carinhos Antigos, velhos aprontes Nasceram muitos, aos montes Desta minha vida aragana Nesta andança veterana De ir destampando horizontes Eu sou a briga de touros No gineceu do rodeio Impropério em tombo feio Quando um índio cai de estouro Sou o ruído que o couro Faz ao roçar no capim Sou o tim-rim tim-tim-tim Da espora em aço templado Trago o silêncio guardado Do pago dentro de mim Fazendo vez de oratório Sou cacimba destampada De boca aberta, calada Como a espera do ofertório Como vigilia em velório Nesse jeito que é tão seu Tem muito de terra, é céu Que a gente sente ajoelhando E, de mãos postas, levantando O pago inteiro pra Deus Sou sono de cusco amigo Meio dentro do borralho Sou as vozes do trabalho No amor da paz, sou perigo Sou lápide de jazigo Perdida nalgum potreiro Sou manhã de caborteiro Sou voz rouca de cordeona Cantando triste e chorona Um canto-chão brasileiro Sou a graxa da picanha Na bexiga enfumaçada Sou cebo de rinhonada Me garantindo a façanha Sou vozerio de campanha Que nos lançantes se somem Sou boi-tatá, lobisomem Sou a santa ignorância Sou o índio sem infância Que sem querer, ficou homem Sou o Sepé Tiarajú O Uruguay, rio-mar azul Sou o cruzeiro do Sul Luz e guia do índio cru Sou galpão, charla e Xiru De magalhânicas viagens Andejei por mil paisagens Sem jamais sofrer sogaços Cresci juntando pedaços De brasileiras coragens Sou enfim sabiá que canta Alegre, embora sozinho Sou gemido de moinho Num tom tristonho que encanta Sou pó que se levanta Sou terra, sangue Sou verso Sou maior que a história Grega Sou o gaúcho e me chega Para ser feliz no universo

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