A Fábrica do Poeta
Português

Letra de A Fábrica do Poeta

GêneroMpb
Duração1:54
Idioma originalPortuguês
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Tamanho 18

Letra original

PT
Sonho o poema de arquitetura ideal Cuja própria nata de cimento Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair Faíscas das britas e leite das pedras. Acordo; E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo. Acordo; O prédio, pedra e cal, esvoaça Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se, Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido Acordo, e o poema-miragem se desfaz Desconstruído como se nunca houvera sido. Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas E os ouvidos moucos, Assim é que saio dos sucessivos sonos: Vão-se os anéis de fumo de ópio E ficam-me os dedos estarrecidos. Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros Sumidos no sorvedouro. Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita No topo fantasma da torre de vigia Nem a simulação de se afundar no sono. Nem dormir deveras. Pois a questão-chave é: Sob que máscara retornará o recalcado?

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