Sentença de Posse
Português

Letra de Sentença de Posse

GêneroSertanejo
Idioma originalPortuguês
AaLeitura
Tamanho 18

Letra original

PT
O agrimensor mediu a terra com fita de aço Ignorou que as cidades são cascas finas no espaço As ciperáceas cavam o chão da garagem vazia Um satélite abandonado capta a nossa agonia Disseram que o progresso era um muro bem alto Mas há um Deus ancestral aguardando embaixo do asfalto Laroyê na órbita de Saturno! O universo é um terreiro noturno! Quebre a flauta, pisoteie o papel Não há diferença entre a lama e o céu Sete moscas revisam o código de barras Mutucas afinam velhas guitarras Nas glumas do trigo dorme um monstro esquecido Que roubou a gravitação e o tempo perdido O tabelião assina a nossa sentença de posse O solo abssorve o homem com uma leve tosse Quem é que conta os passos do caminhante? Quem é que vê o monstro e o diamante? Eu não sou o nome impresso no RG Não sou o olho, sou o ato de ver Sem ontem, sem hoje, sem fuga ou chegada A Consciência assiste a Terra desintegrada Laroyê na órbita de Saturno! O universo é um terreiro noturno! Quebre a flauta, pisotêie o papel Não há diferença entre a lama e o céu! Nada naceu do tijolo Mas milhões morrem no morro O que sou... Sempre será E o demiurgo disso tudo Finalmente acordará Essa música foi criada com acaso Jogando frases e avaliando o resultado Por que gerar desordem é tão difícil Mesmo tendo essa intenção como ofício? Libertem os oprimidos! Oprimam os opressores Nesse vai e vem de personagens Seremos realmente os libertadores? Laroyê na órbita de Saturno! O universo é um terreiro noturno! Quebre a flauta, pisotêie o papel Não há diferença entre a lama e o céu!

Mais de Astrikos Katoikos

Astrikos Katoikos →

Letras relacionadas