Primeiro Suspeito
Portuguese

Primeiro Suspeito lyrics

GenreHip Hop Rap
Original languagePortuguese
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Original lyrics

PT
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Cresci no Capão Redondo Onde a polícia chega antes da ambulância Minha mãe me ensinou a voltar vivo O mundo me ensinou o porquê Cresci ouvindo profecia disfarçada de conselho Vigia esse menino, como se eu fosse erro no espelho Antes da tabuada, eu já sabia o que era rótulo Minha cor virava código, meu cabelo era o óbvio Primo chamando de bandido em tom recreativo Racismo doméstico também deixa hematoma invisível Disseram pra minha mãe que eu tinha tendência Tendência era o país repetir a própria violência No livro eu só aparecia na corrente Nunca no trono nunca inteligente Mostravam chibata mas não mostravam império Ensinaram a dor, mas esconderam o critério Rainha africana virava piada na sala É sua irmã? É? Ignorância batendo palma Se minha história começa no navio negreiro Por que a sua começa só quando vira herdeiro? Primeiro suspeito, mesmo sendo correto Primeiro suspeito, antes mesmo do afeto Se a pele é sentença, quem é o juiz? Eu sobrevivi onde o sistema quis meu fim Primeiro suspeito, mas nunca mais calado Cada verso é protesto contra o estado Se não virei estatística, foi resistência Eu sou a falha viva da sua profecia violenta No mercado, dois caixas, dois caminhos Minha irmã e meu cunhado passam por trás, eu na frente sozinho Olhar de scanner lendo minha melanina O seu também tá pago? Silêncio pesado, antes da disciplina No trem a mina sorri e pergunta da erva Meu dread virou prova minha paz virou reserva Quando fiz trança disseram: Não vai ter futuro Virei gerente, supervisor, discurso caiu do muro Pediam o chefe, olhando pro branco da sala Eu de gravata mas a dúvida falava: Nossa, é ele? Surpresa no tom Competência preta sempre soa exceção Criança não nasce racista, aprende no jantar Me chamou de macaco fantasiado de mago no parque escolar Outra perguntou se eu morava em senzala Século vinte e um, mas a mente ainda acorrentada Primeiro, mas nunca mais calado Cada verso é protesto contra o estado Se não virei estatística, foi resistência Eu sou a falha viva da sua profecia violenta Meu filho nasceu claro, eu no posto de saúde Olhar de desconfiança, vestido de virtude Como se eu fosse perigo segurando o amor Mas quando ele diz pai, desarmou o opressor Minha mãe me avisou sobre droga e pressão Sobre chamarem de fraco se eu dissesse não Eu disse não pro crime, não pro veneno Sobreviver preto já é ato extremo Não virei manchete, não virei cela Não virei número nem estatística da favela Cada não vai dar certo virou combustível Eu sou o improvável que ficou invencível Se o sistema me testa, eu viro argumento Se tentam me apagar, eu viro documento Não é só sobre mim, é sobre estrutura Silêncio de aliado também é postura Se você vê racismo e finge não ver Seu silêncio escolheu lado sem perceber Eu não pedi privilégio, só equidade Mas enquanto isso não vem, eu faço história na adversidade Eu também sou o primeiro suspeito Foi só engano Foi só um caso isolado No mercado foi igual É pra sua segurança, senhor Na escola também Pois você não parece preto Não vão calar nossas vozes Não é vitimismo É sobrevivência É sistema É estrutura

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