O Lamento da Guardiã da Lua - A Profecia Perdida de Ártemis
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O Lamento da Guardiã da Lua - A Profecia Perdida de Ártemis lyrics

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Num bosque sem nome Onde tempo não vai Nasceu sob estrelas, que o mundo não trai Filha da Luz, que a escuridão gerou Guardava os segredos que o silêncio guardou Com o arco de prata E olhos da noite Trazia consigo a promessa e o açoite Nenhum homem tocava seu passo, seu véu Pois sua alma era Lua, era pedra, era céu Por eras, caçou os monstros e reis Punindo os orgulhos, julgando os fiéis Protegia donzelas, os lobos, os rios E dançava sozinha, nos vales vazios Seus irmãos Apollo, o Sol e o trovão A temiam pois nela, ardia paixão Não de amor, mas de ordem e lei A deusa que amava, aquilo que ninguém vê Canta, ó, Lua sobre a que caiu No véu da lenda que o tempo sumiu Ártemis chora entre sombras e sal Pois até uma deusa pode ser mortal Mas veio um oráculo de fala esquecida Predizendo a queda da eterna erguida Quando o arco se partir e a luz se apagar A Lua sem guardiã irá desabar Zombou do presságio Guerreira de aço Mas o tempo traiçoeiro, cumpriu seu passo Um homem ousou profanar seu altar E o sangue que verteu, fez o céu chorar Os mármores ruíram As dríades fugiram As flechas de prata, no chão se partiram Os lobos calaram, os ventos cessaram E os olhos da deusa em cinzas se tronaram Sozinha ficou num mundo descrente Onde os deuses dormem e o ódio é semente Mas a lenda insiste em não perecer Pois quem foi luar, sempre irá de renascer Canta ao vento, nas ruínas do mundo Sobre Ártemis, destino e mundo Mesmo caída não se rendeu Pois sua fúria é o que nos protegeu Entre as folhas mortas Ouve-se um canto Ela ainda guarda Ainda vigia Nos bosques do medo Na noite vazia Quem chama seu nome Com dor verdadeira Receberá a flecha Da última guerreira Ninguém mais ergue seus gritos em festas Mas ela caminha por trilhas honestas Nos olhos das corujas Nas garras do lobo Vive a deusa que perdeu seu povo Não busca vingança, nem glória, nem céu Apenas um eco de quem já foi réu E em noites de eclipse, se ergue do pó Para lembrar ao mundo Ela não está só E ela controla, socorre-me Diga teu pai ainda pulsa, deusa esquecida E quando o mundo se vestir de breus Será Ártemis, quem erguerá Se fores ao bosque, vires luar Silencia teu passo, deixa o vento falar Pois entre as árvores, sombras e saudade A guardiã vela pela eternidade

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