Sombras Na Terra Que Lembra, Bento e a Lenda de Um Sertão Sem Lei
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Sombras Na Terra Que Lembra, Bento e a Lenda de Um Sertão Sem Lei lyrics

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Sertão de terra rachada, onde o Sol é juiz O nome de Bento era a única lei no país Com a faca na cinta e o ódio no olhar Fazia o chão tremer só de ouvir seu nome passar Deixava um rastro de pó e de lamento Não tinha amigo, só o vento e o tormento Sua fama corria mais rápida que o trovão Um homem forjado na brasa da solidão Mas um dia, nos olhos de um menino assustado Viu o reflexo do monstro que havia criado Uma gota de culpa no peito secou E pela primeira vez, Bento fraquejou Na calada da noite, enterrou seu punhal Jurou pra si mesmo um destino final Longe da poeira, da morte e do mal Queria ser só um homem, um homem normal Pegou a viola, um velho companheiro E partiu pela estrada, um novo passageiro Tocava cantigas que ninguém conhecia Em busca da paz que há muito perdia Andou por léguas, mudou o seu nome Tentou apagar a sede e a fome A fome de ser o que sempre foi Mas o passado é um bicho que vem sempre depois Mas o tempo não tem piedade Nem respeita quem quer mudar A poeira cobre as pegadas Mas não consegue apagar Bento seguiu sem destino Com o peito cheio de ruína Cada estrada parecia Levar de volta à mesma esquina Numa vila esquecida ao norte Onde o Sol parece pesar Ele entrou sem ser notado Tentando só descansar Mas um velho olhou diferente Como quem já viu aquele olhar E sussurrou pra si mesmo Isso aqui vai recomeçar Naquela noite sem Lua O silêncio voltou a pesar E um sino velho da igreja Começou a badalar Duas sombras na porta Sem pressa de anunciar E uma voz conhecida Que ele não quis acreditar E quem passa por aquela estrada Diz que ainda pode ouvir Uma viola perdida no tempo Sem nunca conseguir partir

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