Tobiano Capincho
Portuguese

Tobiano Capincho lyrics

GenreNativista
Original languagePortuguese
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Original lyrics

PT
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Este tobiano da estância Foi o bicho mais maleva Que o diabo inventou pra um peão Zóio de chancho, cabano Sargo, coiceiro, aragano Maneteador e bufão Peão que chegasse atrasado Na segunda, mui sovado Das farras pelo rincão Já se sabia sua pena Era encilhar o ventena Que assim mandava o patrão Uma feita, era segunda Na estância ao clarear do dia Com cara de laço novo, cheguei Já estava o meu povo na mangueira E alguém gritou, quando já dava o cavalo Lace o tobiano capincho Pra esse que vem dos bochincho Do rincão dos cantagalo Que sina. Se eu tinha o peito Mais puro que a estrela d? Alva Que bico de beija-flor Qual bochincho? Se eu voltava De ver a prenda que amava Todo enredado de amor Virge do céu! Será o diabo Um cristão que andou bailando Por duas noites e três dias Com no ouvido as harmonias Da cordiona retrechando E o coração sarandeando Numa havanera macia Nos olhos tontos de sono Como em espelho pequeno Aquele corpo moreno Com crespos que o vento bate E o aroma, a flor e o sereno Que vem na prosa em cochicho Ah! Que aroma. Eu não vi em bolicho Nem nos baú dos mascates E os negros olhos ariscos Como iraras bombeadeiras Nas poças que a seca embarra Na sombra de um caponete E que maneia o ginete Como pialo de cucharra Quanta coisa ela me disse Não dizendo quase nada Quanta coisa ela entendeu Da minha boca cerrada Porteira do coração E agora eu, moço, monarca Chego batendo na marca No meu ofício de peão Bonito, agora acordar De um sonho que é um lindo engano Soltar o corpo franzino Em que envidei meu destino Pra me trompar com o maligno Que é esse capincho tobiano Chego e bom dia senhores Largo já meio covarde E me respondem: Boa tarde Dormiu nas palhas, paisano Largue este e traga o buçal A la pucha, que é desigual A sorte de um campechano Vinha o tobiano no laço Como dourado na linha Ligeiro como tainha Como traíra de açude Dando mais pulos e saltos Do que um calcuta na rinha Ah! Quando a sorte é mesquinha Não hai feitiço que ajude Pra encilhá o venta rasgada Foi abaixo de oração E já maneado, enfrenado Foi luta pra arreglá os troço Rezei quatro padre nosso Só pra sentar o chergão Cheguei a carona e os bastos E quando a cincha tinia O infame se foi pro céu Voltou e tombou de boléo Quase perdendo o chapéu Rezei quatro ave Maria E o urso, como um bodoque Traiçoeiro, olhando pra trás Com a cincha no osso do peito E eu lhe ajeitando, com jeito Por causa do capataz Depois de bem encilhado Tranqueou com passos de tango Muito mal intencionado Encolhido e retovado Eu vi a minha vida pequena Corri os olhos na chilena E olhei pra tala do mango E na voz de vamo moçada Campeei a volta e montei Certito e firme nos bastos Já o bicho vinha urrando Ladeadito e se bandiando Como quatiara de arrasto Nós fomos daquela toada Nessa dança desgranida Em que um taura arrisca a vida Só pra honrar a pataquada Depois, de focinho gacho Carona, apero e descida Na fúria despavorida De um touro na costa abaixo Me encomendei pro senhor Também pra virgem Maria Nem sei como resistia Assim, blandito de amor E sem amadrinhador Nesse lançante tremendo Me fui solito, me vando Mais triste que um payador Rodou e ficou roncando Quebrado. É o fim do capincho E eu paradito e continuo A pensar desta maneira Por ti, a mais linda trigueira Gineteio a vida inteira No lombo do meu destino

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