A Morte de Pedro Ninguém
Portuguese

A Morte de Pedro Ninguém lyrics

AlbumVersos & Cantigas
Year1995
Original languagePortuguese
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Original lyrics

PT
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Veio a cantiga da noite Na garupa do aguaceiro Cabresteada pelo vento Até um relâmpado alçado Andou pateando o espaço Preludiando um temporal Mas oigatê como é brabo Este tal de mês de agosto! A voz do preto Clarindo Veio do fundo do rancho Que se velava o finado O Juca, vai lá na venda E compra dois real de gayeta E um naco de fumo grande Que a noite vai ser comprida Lá fora o céu era negro Assim como um campo grande Que fora queimado a pouco O Juca pediu a bênção Pra seu padrinho Clarindo E se enfurnou noite a dentro Na direção do bolicho Agora só a luz das velas Clareava os rostos sombrios Da peonada no velório Onde o respeito era pouco Pois entre risos e ditos Iam se contando causos De peleias, de carreiras E de chinas mal-domadas Esquecidas do finado Foi quando o preto Clarindo Compreendendo o desrespeito Pelo coitado do morto Tirou uma longa tragada Pigarreou como pensando Para afinal sentenciar O homem que nasce pobre É como um cavalo xucro É pealado pela vida Sofre a doma das tristezas Até que um dia se amansa Perde a vontade e a fé Depois já sem serventia Morre na beira do alambrado Esquecido Sem ninguém! Vejam vocês nesta noite O Pedro já não existe Amanhã se vai o corpo Pois a alma do coitado De há muito já estava morta Andava assim como andam Miles de guasca sem rumo Fugindo pelos atalhos Do povoado e das taperas Bueno total é da vida! E amanhã será um de nós Até a viúva quando saiba Que o pobre Pedro morreu Decerto vai chorar pouco Chorar é pra quem tem tempo E o tempo pra o pobre é escasso Pra se lastimar à toa Quando já não se tem remédio Nem a esperança num cobre Livino, me passa a canha Que é pra esquentá o pensamento! Caramba como faz frio Neste tal de mês de agosto! Um trovão rolou no espaço E a chuva seguiu cantando No funeral da saudade Saudade? Ora, saudade! A saudade não tem tempo De chorar Pedro ninguém

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