O Payador e o Rancho
Portuguese

O Payador e o Rancho lyrics

AlbumVersos & Cantigas
Year1995
Original languagePortuguese
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Text size 18

Original lyrics

PT
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Passei a vida cantando Como changueiro de tropa De mil donos diferentes E se fizeram rotina Pelo corredor da vida Muitas lutas sem vitória Deste velho pajador E neste mutismo amargo Quanta lágrima escondi Sempre rumo do horizonte Buscando do outro lado O povoado da esperança Eu me perdi nos amores Que tomei como remédio Pra o delírio solitário De quem só sabe cantar Fiz da Lua meu candieiro Para iluminar a insônia Da negra meditação E me derramei em verso Que é o universo da dor Escutei no meu silêncio Cabem dentro do meu peito Todas revoltas do mundo Deste meu mundo interior Mas nunca contei aos outros Que duram foram os caminhos por onde um dia eu tropeei Bandeei a nados arroios Que se antepuseram à ânsia Que sempre tive em chegar E nos fogões galponeiros Cantei à luz dos braseiros Para esconder neste canto Toda angústia do cantor Mas jamais me dera conta De que meu lado seguia Passo a passo, hora a hora Ao trotezito calado O mais velho dos tropeiros O tempo tropeiro, o tempo Um dia cheguei à sombra de um cinamomo distante E achei que era um momento de erguer meu rancho a final Seria meu fim de estrada, meu verso, fecho da história Seria final a glória de quem só soube cantar Mas de repente o destino Como um amigo gaudério Vem me fazer um convite Pra tudo recomeçar Só que não viu do meu lado Como um cusco enrodilhado O tempo, velho e cansado Me pedindo pra parar Olhei pro rancho em silêncio Depois pra estrada distante Por onde um dia cheguei Me parecia mentira que eu teria que seguir Foi quando o tempo falou Deixem ficar este velho Não lhe obriguem a caminhada, está cansado de mais Não lhe tindo a ramada Seu recanto nostalgia, da solitária alegria De seu silêncio escutar Deixem ficar esse velho, à sombra do rancho tosco Que ele barreou com afeto E quinchou com emoção Cada pedra, cada planta É um verso que se levanta Na forma de uma canção Deixem ficar este velho, a sombra do que ele amou Seu rancho, glória dos versos Dos cantos Que ele cantou Deixem morrer este velho Como morre um pajador Ouvindo do cinamomo Outro pássaro cantor

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