Lei Áurea - Libertação!
Portuguese

Lei Áurea - Libertação! lyrics

GenreSertanejo
Original languagePortuguese
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Original lyrics

PT
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No interior das consciências Os sinos da manhã mastigam ruínas E devolvem pássaros livres ao céu A cidade ainda cheira A correntes molhadas Pela chuva antiga Mas o vento, tão lento Já desaprendeu o velho chicote Hoje, a terra abre a própria garganta E canta com voz de carvão aceso Cada nome enterrado sem lápide Levanta do barro De cada dormitório do desprezo Como raiz que recusa O esquecimento Não houve milagre limpo A liberdade chegou Com os pés feridos de estrada Trazendo nos ombros O peso de todos os oceanos Atravessados à força Ela entrou no Brasil Como quem invade Uma igreja incendiada Para salvar a última vela acesa Ó grande corpo negro da noite Teu sangue costurou os rios Teus braços ergueram catedrais Onde o ouro rezava E a fome respondia: Amém Mas escuta Os tambores não morreram Dormiam sob a cal dos séculos Esperando o instante Em que as pedras Também criassem ouvido Hoje, os atabaques rasgam o silêncio Como relâmpagos dentro da água As mães lavam o chão das memórias Com folhas de alecrim e incenso suave Os meninos acendem fogueiras Nos quintais da história Para queimar os retratos do medo Eis a liturgia O pão repartido sem feitor O vinho servido sem algema A mesa comprida Onde toda pele encontra lugar Sem pedir licença ao escuro O amor, só o amor, constrói Catedrais nos corações Os anjos desta noite Não têm asas Têm cicatrizes E Deus passa devagar Pelas vielas do país Vestido de favelado e de povo Tocando ombro por ombro Como quem afina Um instrumento antigo Que nenhuma liberdade Seja moldura vazia Que o ouro dos palácios Aprenda a ajoelhar-se Diante do suor E a cultuar o amor Que os livros parem de esconder O nome dos que carregaram O mundo nas costas Porque ainda há correntes Com perfume de escritório Há senzalas erguidas Em concreto e pressa Há silêncios vendidos Como se fossem paz Mesmo assim, cantemos Cantemos como rios Rompendo barragens Como árvores rachando o cimento Como um coral de estrelas negras Reaprendendo o idioma do infinito Hoje, a noite não termina Ela floresce nas inúmeras Lutas sem fim E cada homem Cada mulher Cada criança Que atravessa este país De cicatrizes De feridas E de clarões Leva no peito Um sino invisível Tocando liberdade Até que o próprio tempo Caia de joelhos Peça perdão Dê as mãos E edifique A civilização do amor Hoje, amanhã E depois sem fim Sem fim

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