Setenta Vezes Sete
Portuguese

Setenta Vezes Sete lyrics

GenreSertanejo
Original languagePortuguese
Views5
AaReading settings
Text size 18

Original lyrics

PT
Translation not available yet. Showing the original lyrics.
Guardei teu nome numa gaveta Onde o tempo não sabia entrar Entre os cacos de uma terça-feira E uma vontade antiga de cobrar Fiz da mágoa um animal de guarda Dei-lhe pão, endereço E poder de decisão Ela dormia ao pé da minha cama E acordava antes do coração Até que um dia compreendi Vingança é dívida ao contrário O credor termina prisioneiro Do próprio livro-caixa do passado Então abri as portas da memória Não para absolver o que doeu Mas para devolver àquela história O inteiro de mim que ela prendeu Perdoar Não é chamar a ferida de mentira Nem apagar o sangue da lembrança É arrancar das mãos de quem feriu A chave enferrujada da esperança Perdoar Não reconstrói a casa como era Há paredes que não voltam ao lugar Mas abre uma janela entre os escombros Para a vida novamente respirar Setenta vezes sete Não são números para Deus contar É o infinito entrando na aritmética Para a vingança desaprender a calcular Setenta vezes sete Até o ódio perder a profissão Até a pedra esquecer que foi pedrada E reaprender o ofício de ser chão Não te ofereço esquecimento Esquecer seria mentir para mim Carrego cicatrizes, não algemas Uma coisa é ter passado Outra é pertencer ao que teve fim Também não volto à mesma porta Se atrás dela ainda mora o agressor Misericórdia não é ser cúmplice E limite também pode ser amor Há perdões que chegam como chuva Outros vêm gota por gota ao coração Há perdões que precisam de uma vida Para atravessar um palmo de sertão Mas eu não quero chegar ao meu último dia Carregando desilusões dentro de mim Nem entregar àquele que me feriu O poder de decidir como será meu fim Por isso hoje desarmo a memória Tiro o dedo do gatilho da razão Não porque a injustiça ficou justa Mas porque não quero outra prisão Setenta vezes sete Que se quebre a contabilidade da dor! Quem transforma a mágoa em patrimônio Acaba pobre de futuro e de amor E quando a noite fechar minha conta Quando Deus me chamar pelo que sou Não quero apresentar-Lhe meus inimigos Quero apresentar o amor que me restou Que Ele encontre minhas mãos vazias Das pedras que eu poderia ter lançado Meu coração sem nenhum nome acorrentado E a velha dívida rasgada pela imensidão Porque, no fim Perdoar não muda Aquilo que passou Muda quem atravessa E eu não atravessarei a eternidade Arrastando as correntes Daquilo que Deus Já me ensinou A soltar

More from Newton Jayme

Newton Jayme →

Related lyrics