Alfaiataria (Um retalho, um remendo, um recorte)
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Alfaiataria (Um retalho, um remendo, um recorte) lyrics

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Amanhece outro dia sem ir ao seu encontro Num aperto mais frouxo que gola sem cós A lembrar que é impossível viver entre dentro de nós Que até pode tentar, mas não passam de pesponto O improviso me sangra, a saudade, a máquina cala Pois nem ela se atreve a ligar, costurando sozinha O carinho que dobra e, na dobra, embola na linha Desmanchando em vazio que enche a cortina da sala A alma fica nua, não tem jeito Não até que você volte Sem você aqui, tudo perde o molde Parece um retalho, um remendo, um recorte Se não voltar, me diz como se embrulha A roupa da alma que pede overlock Porque trespassar tanta dor pela agulha Não é arremate até ter o seu toque E de perto teu leito me inspira loucura Porque só me rasgo o que resta por dentro Caindo do bolso um incompleto aviamento Que tapa no tempo e tapeia e tortura Na seda do tempo, um retrós de aflição Que quer entre dentes, entrave, entretela Dar vinco e fingir que o abrir da janela Me prega sem classe o mais feio botão A alma fica nua, mas nada abraça No fim da reprise de outra novela O dia que cinza não abre a janela Porque sobra pranto e assim falta graça E se não voltar, me diz como se embrulha A roupa da alma que na galoneira Insiste em passar toda a dor pela agulha Que precisa ver que se sentou Na sua velha cadeira Não vai servir pra nada essa tesoura Se não puder cortar nossa distância Tão pouco essa fita medir o afeto Se a métrica que meço é memória e infância Que esconde esse aroma só seu de alfazema Abrindo teus braços sem ter protocolo Pra me repousar no aconchego do colo E me proteger do mais tenso problema Ouço Montenegro, Adriani e Roberto E todos parecem gritar o seu nome Enquanto atravesso outra noite insone Buscando tua voz no que existe por perto Então por que a vida franziu a bainha Num pano tão torto, incerto, zigue-zague Que vai e que volta e antes que estrague Exijo outra vida, essa não é minha! Eu lembro que fomos alfaiataria E isso costura amor, não adeus E mesmo que outros chamem de Maria Só dois dizem mãe e estes dois Sempre foram só seus Porque você deixou a gente a te esperar

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