Sem dar nome aos bois (Mas vocês sabem quem são)
Portuguese

Sem dar nome aos bois (Mas vocês sabem quem são) lyrics

AlbumPoemas, parênteses, prompts e patifarias
Year2026
GenreAlternative Rock
Original languagePortuguese
Views4
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Text size 18

Original lyrics

PT
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Há dias em que o tempo entra por aqui sem bater Derruba planos, embaralha vontades e apaga o que é Sem reação, me acomodo no meio da sala da alma E evito reclamar do breu ou da visita savoir-faire E nem é porque meus pedaços, assim, ninguém vê Muito menos porque esta rotina é sabor desventura Porém, ao contrário de tudo que seria cura Meu único motivo é o cansaço e ele vem de vocês E chamo de cansaço mas sabemos que é pior Algo entre o nojo e o asco, a repulsa ou o desdém De quem vive a vida registrando sempre a meia missa Onde metade é engodo e a outra metade também Mas ao invés de dar nome aos bois Pérolas aos porcos ou migalhas aos pombos Eu afasto os móveis da sala e tiro o tempo pra dançar Deixando bem claro que sou eu quem conduz A valsa ou os versos que quando compus Foi só pra dizer que ainda vou me vingar Se não for do ébrio dócil tenda a bíblia em sua mão Pode ser da insegura juventude aturdida Ou quem sabe do cortês e belo verme que lamenta a própria vida Que merece ao confundir bondade com obrigação E há tanto, não me causa comoção à maltrapilha Que caída, entre vielas, quis o papel de coitada Lhe cabendo como o mundo de quem nunca teve nada Mas se veste em cada golpe para ser parte da matilha E chamo golpe pra não ser quem lembra que é muito pior Algo entre o embuste e o dolo, a desonra ou o ato vil De quem antes se deleita de ravioli e rivotril Pra depois com perriê lavar as narinas entupidas de pó Mas ao invés de dar nome aos bois Pérolas aos porcos ou migalhas aos pombos Eu afasto os móveis da sala e tiro o tempo pra dançar Deixando bem claro que sou eu quem conduz A valsa ou os versos que quando compus Foi só pra dizer que vocês podem se danar E nesse cenário de móveis tortos e pessoas tísicas Que quando existem perto, se travestem de problema Eu forço o trinco enferrujado na porta da frente dos dias E me tranco sozinho e feliz em minha eterna quarentena

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